25-06-2011 22h43
Rudiney Leal
Como tenho relatado em colunas anteriores, o jaú é um dos peixes mais interessantes para se pescar. Adoradores do “Rei do Rio” que me perdoem, mas este título de nobreza pode ser contestado pelo jaú. É maior, mais forte, brigador e, como diz meu pai, “se ele jogar a linha nas costas nada pode detê-lo”. Então, se no começo da briga você perceber que é dos grandes, solte o barco e o acompanhe até se cansar.
A chegada do inverno me causa ansiedade, ao contrário da maioria dos outros pescadores. São dois motivos que me alegram: a piscosidade para jaús e minhas férias, estas agendadas para julho por conta do primeiro motivo. Gostaria de usar este espaço para compartilhar algumas peculiaridades que aprendi sobre os jaús. Não tenho a audácia de fazer explicações científicas sobre o comportamento alimentar do Zungaro zungaru (mais escuro) ou Zungaro Jahu (amarelo), mas garanto que são informações que proporcionarão boas fisgadas.
O encouraçado é um predador oportunista que gasta o mínimo de energia em sua alimentação, composta de outros peixes e minhocas. Ambos deverão passar perto de sua bocarra. Os anelídeos são seus alimentos prediletos, o quê dificulta sua pesca em outras épocas do ano. O motivo: considerada a isca universal, a minhoca é apreciada pela maioria dos peixes menores, que quando estão com metabolismo acelerado (quando a água está quente), chegam à isca primeiro que o jaú.
No inverno, o jaú tem tempo de chegar às minhocas com mais freqüência. Por habitar locais profundos, que são menos influenciados pela temperatura da superfície e pela maior incidência de alimento, a espécie fica mais ativa. Após a teoria, segue informações sobre a prática:
Materiais: anzol 6/0 Mustad encastoado com empate de 120 libras ou mais e girador para pesca pesada de latão, chumbadas grandes com peso variando conforme o local, linha multifilamento de 50 mm ou monofilamento de 65/70 mm, vara pesada (acima de 80 libras), uma boa carretilha ou molinete pesados (uso a carretilha Black MX20 da Marine ou molinete BG90 da Daiwa). Usava anzóis 8/0, mas são desnecessários. O 6/0 tem a vantagem de ser forte e trazer outros espécimes. Certa vez, com minhocuçu, fisguei um enorme piavuçu de 3,5 kg com esta técnica.
A técnica: a isca deve ser de minhocuçu mineiro selecionado e inteiro, dos grandes, passado pelo anzol e revestindo o encastor, no sentido do comprimento, dificultando a retirada por peixes menores, além de dar uma aparência natural. Outra boa alternativa, que atrai espécimes maiores, é passar a minhoca em um arame fino – daqueles de tela de galinheiro - de uns quarenta centímetros e com as pontas dobradas e, depois, enrolar fazendo um bolo e prendendo as pontas no anzol, neste caso deverá se utilizar o 8/0 Mustad. Dica: isque a minhoca no local da pesca e com seu líquido caindo na água do rio para servir de atrativo. O jaú é um predador quase cego, tornando seus outros sentidos mais aguçados.
Locais de pesca em MS: no rio Miranda na região do Passo da Lontra; no rio Aquidauana – região da Pousada Pequi; Camping Baía e Aguapé; ou acima da ponte do Grego até a cidade de Corguinho; rio Paraguai nas grandes baías e remansos, tanto em Corumbá como em Porto Murtinho; remansos e curvas dos rios Taquari, Coxim, Ivinhema e poços de corredeiras do rio Apa.
Pontos: escolher poços/remansos com pedreiras; lado externo de curvas, preferencialmente com tranqueiras de grandes árvores abaixo.
Horários: com a água limpa, os melhores horários são ao lusco-fusco do escurecer ou do amanhecer. Com a água suja, o jaú come bem ao meio-dia, com o sol alto.
Lembre-se: não adianta insistir muito no mesmo ponto. O jaú é um peixe que se movimenta pouco, portanto, se ele não estiver no local dificilmente virá de outros pontos próximos para comer sua isca. Os horários de pesca não são rígidos quando a água está muito fria, o mais importante será o ponto escolhido. E, finalizando, se o tempo virar não se desanime, os peixes ficam mais agitados e poderão surgir boas oportunidades.
Em tempo: muitos grandes jaús têm sido capturados em MS neste mês de junho. Um exemplar de 70 kg foi fisgado por turistas mineiros em Coxim na última quinta-feira (23), conforme noticiou o site Camapuã News. Mas, faço um apelo: solte o máximo de exemplares que puder. Os grandes espécimes já demonstraram sua melhor capacidade em sobreviver e produzem mais ovos também. A lei permite a captura até certo limite, mas, mesmo amparado na lei, sempre pergunte à sua consciência antes de abater o peixe. Leve sempre consigo sua máquina fotográfica e tire boas fotos, assim não precisará do próprio peixe para comprovar seu sucesso aos amigos. Com um ou dois peixes já dá para fazer uma boa peixada.
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