Opinião e colunas/Coluna do Pescador

Fechamento da pesca: pequeno balanço de um ano ruim

Chuva e regulamentação serão fundamentais para temporadas futuras

04-11-2011 15h07
Rudiney Leal

Após longas conversas com amigos pescadores às margens dos rios de Mato Grosso do Sul, a conclusão sobre a piscosidade em 2011 é uma só: foi um ano abaixo das expectativas.

Sem conotação científica, mas baseado em observações de quem pesca em MS há mais de 25 anos, uma das explicações mais plausíveis foi a baixa quantidade de chuva nos primeiros meses da primavera e início do verão de 2010, dificultando a subida dos cardumes para a desova nos locais adequados e no tempo certo. Chuva essa que foi excessiva no começo deste ano, fazendo os peixes “rodarem” para o Pantanal, e que tornou a ser fraca nos meses posteriores, novamente dificultando a subida dos peixes para os pontos de pesca.

Ressalte-se que a cheia extemporânea fez com que grandes cardumes se espalhassem nos corixos pantaneiros. Para piorar, na mesma intensidade que se encheu a planície se esvaziou, fenômeno que gerou até mortandade de peixes na região de Rio Negro, por falta de oxigênio.

Outro ponto negativo – ocorrido também no ano passado – foi a notória ausência do policiamento ostensivo da Polícia Militar Ambiental. Em conversa com integrantes da PMA foi dito que a Secretaria de Justiça e Segurança Pública não priorizou a corporação, chegando a faltar combustível e manutenção de equipamentos para trabalhar.

Alguns pontos positivos da temporada merecem destaque. Economistas dizem que é na crise que se investe para ganhar na alta. O que isso tem a ver com a pesca em MS? O ano ruim para o turismo pesqueiro fez avançar as discussões sobre a moratória temporária na pesca do dourado. Defendo aqui a inclusão do pintado e do pacu, no mesmo debate.

Outro ponto importante foi que o Conselho Territorial de Desenvolvimento Sustentável da Pesca e Aquicultura no Pantanal Sul esteve mais atuante neste ano, gerando dois importantes manifestos – a moratória do dourado e o apoio à Recomendação 004/2011, do MPF-MS e MT, orientando os institutos ambientais – Imasul, Sema-MT e IBAMA - a se posicionarem contra a instalação de empreendimentos hidrelétricos na Bacia do Alto Paraguai, por impactarem negativamente na biodiversidade local.

Quanto às capturas, a temporada dos jaús durante o inverno foi de regular a boa, com destaque para as regiões de Porto Murtinho e Coxim, onde belos exemplares foram fisgados, além do Rio Ivinhema que foi pródigo em grande pintados.

O maior destaque ficou para a temporada de piavussus, muitos acima de três quilos, na região de Camisão e Pesqueiro 110, no Rio Aquidauana, e no km 21 e barra do Chapena, no Rio Miranda. Infelizmente, as chuvas da última semana de outubro, praticamente encerraram a temporada. Quanto aos pacus, quantos exemplares acima de quatro quilos você fisgou neste ano? Eu, nenhum, a exemplo do ano passado.

Resta-nos, para 2012, torcer que ocorra duas situações: que o ciclo das chuvas ocorra normalmente e auxilie os espécimes adultos durante o defeso, e, finalmente, que cada pescador amador, profissional, esportivo, pressione as autoridades à decretarem a moratória das espécies em risco, além de prover de mais estrutura os órgãos fiscalizadores.

Rudiney Leal – jornalista, pós-graduando em gestão pública municipal e pescador.







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